Em outras praias

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O pior dia da minha vida

       

Vou contar agora o que aconteceu quando parei de amamentar o Gustavo.
Não não foi este o pior dia, mesmo este dia sendo difícil e doloroso. Estava indo super bem na amamentação, doando leite e super me realizando, tinha superado todos os meus medos, mas não, não foi o pior dia.

O pior dia foi três dias depois que deixei de amamentá-lo.

Quando decidi parar de amamentá-lo tinha muito leite, mas como não iria prosseguir, precisava secar meu leite. E mesmo acabando o estímulo meus seios estavam cheios de leite. 
Liguei para minha G.O., ela disse que era para enfaixar os seios e tirar o excesso e se não resolvesse ir ao P.S. pq ela estava de férias e não tinha como me atender e medicar.
Enfim, dois dias depois lá vou eu ao P.S. com os seios duros, doloridos e pretos. Sim pretos, era tanto leite que não sei explicar de onde veio. 

Lá no P.S. a médica que me atendeu falou que o ingurgitamento era comum, e a orientação foi um remédio, enfaixar e tirar o excesso. 
Passei na farmácia, comprei o remédio (bem salgado o preço) e comecei a tomar.
Tomei duas vezes e comecei a sentir meio tonta, boca formigando, estômago virando.
Dormi e amanheci da mesma forma, só que vomitando e continuava com os seios cheios, pretos.

Suspendi o medicamento, pq percebi que eu estava com alergia a ele (normal para mim).

Fui pra minha mãe e aí começou o pior dia da minha vida, mais doloroso.
No caminho, vomitei, vomitei até acabar tudo que tinha comido.
As dores no seio aumentaram e comecei a ficar mais enjoada.


Meu marido me levou a outro P.S. chegando lá, contei do que tinha acontecido e a médica disse que aquele era o medicamento mesmo, não tinha outra opção, então que eu teria que secar o leite naturalmente.
E o pior: tinha que esvaziar meus seios, que estavam um três ou quatro números além do normal. Estavam enormes, pesados, doloridos, pretos. 

A partir daí só posso dizer que nunca tinha sentido tanta dor na minha vida.
Uma enfermeira foi me ajudar a esvaziar os seios.
Estava tão "empedrado" que só o toque eu já gritava de dor.
Quando ela começou a fazer massagem para esvaziar o peito, só lembro que gritei e fui acordada pela médica e dois enfermeiros.

A dor foi tão intensa que quando ela recomeçou a fazer a massagem mais dor, dor, dor e vômito.
Fiquei por muito tempo pensando se estava certo tudo aquilo.
Nunca tinha ouvido falar que pudesse ser tão doloroso, intenso, tão difícil.

E foi assim por quase uma hora até as duas mamas estarem suficientes vazias.

Sai do P.S. acabada e enfaixada. Chorei. Meu marido fala que ouviu um zum zum zum na recepção, mas não sabia o que era. 
Ele entrou só depois que já tinha recuperado do desmaio.

Fomos pra casa e durante a semana toda fiquei enfaixada, quando pegava o Gustavo no colo pensava se tinha feito a escolha certa.
E eu sabia que tinha. Sempre que olhava para ele e o via bem, sem manchas, sem sangue nas fezes e todo o resto dos sintomas que não consegui acabar com a minha restrição alimentar.

Este é só um desabafo. 
Está chegando perto do aniversário do Gustavo e estou me recordando dos bons momentos que ele me fez passar, dos medos que me fez superar, dos acertos, dos meses de amamentação exclusiva, que eu provei para mim mesma que eu era capaz de mantê-lo saudável, que podia deixá-lo saciado com meu leite, que eu era a sua fonte de alimento.

E esta é uma dor tão minha que nem consigo relacionar a ele. 
É só minha.

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