segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Desabafo: a adaptação escolar.

Vou dividir uma coisa que aconteceu por aqui.

Este ano, mudamos o João Pedro de escola. 
A escola dele era uma maravilhosa, adorava, porém chega um momento que a criança cresce e precisa de ir além do brincar.
Foi aí que conversamos com ele, explicamos, mostramos a escola nova que ia iria estudar neste ano.
Aos 4 anos, achei que seria fácil, afinal ele vai à escola desde os 10/11 meses no período integral e agora seria só meio período, bem pertinho de casa, pertinho da mamãe.
A adaptação foi longa. Chorosa, sofrida. 
Cada dia ele arrumava algo para não ir pra escola. Eu perguntava se alguém brigava com ele, o que ele não gostava e ele dizia que simplesmente não queria ir pra escola.
Imagina meu coração.
Todo dia, o drama começava no banho. Aí era seguido de choro no almoço, na hora de colocar o uniforme, entrar no carro.
O caminho pra escola, exatos 8 minutos - cronometrei, eram terríveis para mim e para ele.
Um chororô, gritos, clamores para não ficar na escola.
Nem preciso dizer do quanto o choro na hora de descer e ficar eram horripilantes?
Ele ficava na escola, e eu ouvia o choro dele me chamando, chamando o pai, a vó, o vô, a dinda, o dindo, a tia... enfim a família toda. 
Na hora de embora ele se despedia das professoras, e contava tudo que acontecia por lá feliz. Sempre quis fazer a lição de casa, arrumar a lancheira. 
Eu entrava todo dia no carro chorando (imagina grávida o tanto que chorava...). Minutos depois já ligava pra saber dele e ele estava brincando. E a coordenadora sempre falando, ele fica bem, passa aqui pra ver ele.
Um dia passei na escola, ele estava lindo sentado fazendo as atividades com os colegas. 
Lembro que foi uma segunda feira isto. Acalmei meu coração.
No dia seguinte, não foi fácil também, porém menos penoso. 
Ao chegar no trabalho, a coordenadora já tinha ligado avisando que o choro já tinha passado.
Na terceira semana de aula, numa quarta feira ele trocou de roupa, almoçou, puxou sua mochila pro carro e entrou falando que ele sabia que a escola era legal. 
Imagine a minha cara.
Desconfiada, nem perguntei muito o pq... chegamos lá, ele desceu do carro, pegou a mochila, entrou pela porta e voltou.
Medooooo
Voltou beijou minha barriga e me beijou.
Falou um tchau Gustavo, tchau mamãe e entrou.
Viram a cena
Então... adicione aí a cara da coordenadora, a minha, a da tia do portão, da professora, a do pessoal da rua (tá mentira)... exatamente meio que uma felicidade misturada ao pânico de tá tudo errado...
Enfim.
Depois deste dia não tivemos mais choro.

Só tenho uma coisa a dizer, não foi fácil. Ouvi de tudo. 
Pensei em tirar da escola - sim pensei.
Fingia q não sofria na frente dele e quando entrava no carro, corria mandar msg pra minha mãe, irmã, pro Fabio, amigas.
Desabafava mesmo. Acho q todos já sabiam a hora do "arrepio" do chorume materno.
Chegava no trabalho e todo mundo já perguntava como tinha sido.

Ainda bem que passou.
Ainda bem que tenho pessoas que me ouviram.
Ainda bem que meu filho está bem.
Ainda bem que não desistimos.

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