segunda-feira, 24 de junho de 2013

O bom menino não faz pipi na cama... Será? por Cynthia Le Boulergat


A Cynthia Le Boulergat do blog Fala, mãe! escreveu para nós contando sobre enurese noturna



Você lembra de uma infância úmida e geladinha, onde todos os dias sonhava estar em alto mar, e acordava  realmente nadando em seu própria urina. Colchão ao sol todos os dias, um cheirinho que não sumia tanto assim... E aquele plástico na cama, que ao ser perguntada pelas amigas o porquê daquele barulho ao sentar,  morria de vergonha e desconversava. Chás milagrosos, simpatias esquisitas, premiação por metas, de tudo minha mãe tentou,  mas até os 8 anos foi assim, quando de repente, sem mais em menos eu passei a acordar quando precisava ir ao banheiro...
Aí você acha que seus filhos não vão passar por isso, que você vai desfraldar a noite e tudo vai ser perfeito. Mas, espere! Você abruptamente descobre (bem depois de se casar, OMG rs) que seu marido também fazia xixi na cama, não até os 8, mas até os 9 anos. Em seguida, mais uma revelação bombástica: seus pais também fizeram xixi na cama quando crianças.

Uma dia conversei sobre esse assunto com  pai,  que é psiquiatra,  e me contou uma curiosidade que  poderia explicar esse fato da genética da enurese noturna (xixi na cama). Alguns casos poderiam ser decorrentes dos “traços epiléticos”, Ou seja,  existiu um ancestral familiar distante que teve a doença, que não foi transmitida as gerações seguintes, porém preservou-se as manifestações organopsíquicas menores, próprias da doença, tais como: a enurese noturna prolongada,  pavor noturno, crises de déjà vu, sonambulismo, instabilidade emocional, dipsomania, etc.. Esclarecendo que a presença de poucos equivalentes epiléticos não são suficientes para caracterizar o cérebro epilético. E tudo isso, é apenas uma linha de pensamento de um ramo da neuropsiquiatria, há os que acreditem e os que discordem.

Aqui em casa, um parou agora pouco com 6 anos (tamo no lucro, gente!), e o de 5 segue fazendo todos os dias. Sim, já fizemos experiências de: dimunuir líquidos a noite, evitar alimentos doces, e nada disso funcionou muito bem. Às vezes levanto para levá-lo ao banheiro a noite, mas muitas vezes eles já fez, porque faz mais de uma vez, e lembro que comigo também era assim...

Sabemos que há opções de tratamento, e pensamos sim em levá-lo a um urologista mais pra frente, caso não se revolva naturalmente. Por enquanto, é manter nossa boa capa de colchão, um tiquinho de esperança e um tantão de paciência, que antes de casar sara (ou pára rs)



Obs.: O título do texto se refere a música “O bom menino”do palhaço Carequinha, de uma época que o “pipi na cama” era considerado um ato voluntário da criança, como uma peraltice, hoje sabemos que não se deve castigar a criança por causa do xixi na cama.


Referência: Paloma, Guido A,  Tratato de psiquiatria forense, civil e penal. – São Paulo: Atheneu Editora, 2003.( páginas 424-425)

Um comentário:

  1. Dei muita risada sobre o texto. Passo pelo menos dilema aqui em casa, outro dia até postei no blog sobre isso: http://goo.gl/dLXva (se você quiser ler.
    Mas as fraldas ainda servem...estou me delongando no período de tirar, porque tem dia que ele acorda sem nada de xixi, mas tem outros que mesmo com fralda vaza!

    Dizem que eles sempre sabem o tempo certo... amadurecimento, espero que seja verdade! :)

    Beijos
    Karin
    www.mamaeecia.com.br

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