quinta-feira, 23 de maio de 2013

Mais ócio, por favor!



Já pararam para pensar que as crianças de antigamente eram muito mais ativas fisicamente? Corriam nas ruas, escalavam árvores, batiam bola, iam a pé para a escola, se levantavam do sofá para mudar de canal na TV.

Hoje, a rotina das crianças é tão estruturada que é preciso agendar um tempo para brincar. A pelada virou escolinha de futebol. A dancinha virou escola de ballet."Criança aprende brincando", diz a pedagogia barata.

Inventam-se brincadeiras em cima de conteúdos: música para aprender cores, lições para se aprender a ler e escrever, exercícios para a lateralidade.

Na minha opinião, a coisa acontece bem ao contrário.

A criança brinca aprendendo.

A criança brinca para imitar a ser adulto. Ela fantasia, ela cria. Ela presta atenção nos modelos adultos para copiar depois em suas brincadeiras.

E quais são os modelos adultos de hoje? Adultos sem tempo, com a agenda apertada, com a cabeça sempre em outra atividade porque ele precisa ser multicompetente.Os adultos não têm tempo para o não fazer nada. Logo, as crianças não sabem o que fazer com o tempo para o livre brincar.

É tanta preocupação em ter uma brincadeira pedagógica, uma atividade dirigida o tempo todo, que as crianças não sentem necessidade de criar, de improvisar.

Faça o teste do ócio criativo: deixe seu filho numa situação enfadonha, sem lhe apresentar nenhum divertimento. Veja como ele vai se virar para inventar uma brincadeira.

Depois faça o mesmo com você: experimente sentar-se no sofá por 15 minutos, sem TV, sem celular, tablet, revista, sem distração.

Quem se virou melhor?

Bjokas da Milene

2 comentários:

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