segunda-feira, 22 de abril de 2013

Nasci pra ser rica e ter empregada doméstica (SQN)

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Eu nasci pra ser rica e não precisar lavar a minha própria lingerie, nem as cuecas do marido e dos filhos. Isso é um fato.

Na verdade, nasci pra ser rica nos Estados Unidos. Morar em Hampton, aquele balneário estadunidense de gente zilionária, que é também aquele lugar chique de lindo para onde a Emily voltou pra comer com farinha todo mundo que traiu o pai dela no delicioso seriado Revenge.
Só que não (pra usar uma frase da moda!).


Não sou rica.

Moro em São Paulo, num apartamento de 85 metros quadrados.
Mas, como nasci pra ser rica, vivia de férias do trabalho doméstico desde que me casei há zilhões de ano atrás. Mas essa vida de ryca acabou!

Buááááá!

Acabou no dia 9 de abril de 2013. Jamais esquecerei essa data! (kkkkk)
Foi o último dia da minha vida de falsa dondoca! Foi o dia que demiti minha emprega doméstica que mais deixou a minha casa, o meu lar, o meu refúgio, uma sujeira, uma nojeira.
Dia 10 de abril de 1013 foi o primeiro dia do resto da minha vida, como disse a minha sócia querida Mônica Brandão, que já é dona e senhora do lar - e das cuecas e calcinhas da casa - há muito tempo
Foi o dia que assumi as cuecas na minha casa! (São três homens e apenas eu de lady!)

Ai, que trágico, né!?

Bom, eu achei que seria trágico. Hoje, quatro dias depois, não acho mais. Estou amando essa nova (e louca) vida de classe média. Vida real. Vida mundana. Vida corrida, com pouco tempo para frescuras. Não que antes não fosse. Mas, antes, eu tinha a facilidade de ter alguém para lavar a roupa, a louça, arrumar as camas, não guardar os brinquedos, manchar os pisos de banheiro, lascar TODAS as minhas canecas (sem exceção!), encardir a minha cozinha e a lavanderia, não tirar pó da estante de livros, não arrastar os móveis para varrer, fazer cara de mau humor quando eu pedia para ficar até o final do expediente, que era às 17h, além de faltar muito, me deixar na mão e nem se preocupar em avisar, afinal eu trabalho em casa, no computador, logo, não faço nada. Jogo Candy Crush o dia todo. Acho que é isso o que muita gente pensa.

Bom, diante de tal realidade, chegamos, eu e marido, à conclusão de que a criatura estava saindo mais caro do que podíamos pagar, estava deixando o nosso ninho de amor (que brega!) um lixo. O trabalho dela, eu faço muito melhor. Qual a vantagem de ter uma empregada assim, então?
Contas feitas. Demissão anunciada - mas antes ela teve de arrastar os móveis, varrer embaixo da cama, ou seja, trabalhar.

Minha decisão também foi motivada por mulheres que conheço e vivem essa realidade, como a Milene, minha querida sócia Mônica, a incrível Thaís, que tem uma penca de filhos (não tem, é mentira. São apenas três, mas com micro idades), além da Simone Miletic, a Priscila Perlatti. Todas elas parecem viver muito bem sem empregadas domésticas. E têm filhos menores que os meus.
Pesou também, devo confessar, a nova legislação trabalhista que entrou em vigor, a qual eu apoio, mas acho injusta com o empregador doméstico.

Além disso, o apoio do marido foi essencial para aceitar que sou classe média (ai!). Aliás, foi fundamental.

No exato instante que a empregada saiu por uma porta, ele entrou pela da cozinha. Passou a fazer o jantar. Lavar louça. Lavar as próprias cuecas. Arrumar a cama. Passar roupa. Não deixou tudo para mim. Ele entende que moramos juntos no mesmo espaço. A casa é tão dele quanto minha. (E, se não colaborar, vai apanhar! kkkkkk. Ok, é mentira).

O Samuel, meu pequeno grande homem de 12 anos, também me surpreendeu. Passou a lavar as próprias cuecas. Todos esses dias tem arrumado a cama antes de ir para a escola e me ajuda -na corrida e exaustiva- hora do almoço. O Miguel, bom, esse meu caçula acha que é rico!
Agora só terei uma faxineira. Uma vez na semana. E só topei ter uma pessoa porque é uma pessoa em quem confio, que trabalhou comigo durante 8 anos. Eu preciso dela para limpar as janelas (que não sei fazer), passar roupa (que odeio), lavar banheiro e desencardir a cozinha e a lavanderia. Está de bom tamanho. Do resto, sei que eu, meu marido e meus filhos damos conta. Sem medo. E se não der, vai ficar de pernas para o ar!

Enfim, acho um privilégio eu não depender mais de uma empregada doméstica. Mais que riqueza, isso se chama liberdade.

Beijos,

Patricia Cerqueira

PS: Alguém indica um creme para mãos secas, pois os produtos de limpeza estão acabando com as minhas. Ai, que saudade da minha vida de rica! (hahahaha)




Patrícia Cerqueira é enlouquecida pelo Miguel e pelo Samuel, autora dos Blogs Comer para Crescer e Comer para Crescer Festas, com a amiga Mônica Brandão.

13 comentários:

  1. Incrível texto !
    Aqui em casa tivemos que diminuir o número de vezes que a minha diarista vem, tb por conta da nova lei e estamos nos virando bem !
    Henrique, meu mais velho, lava as cuecas e meias no banho, arruma os brinquedos, marido lava a louça, passa pano na casa e eu tomo conta de todo o resto para manter a ordem na medida do possivel !
    Acho que esta será uma realidade no lar de grande parte das mulheres daqui pra frente e, sinceramente, não acho que seja tão ruim assim rs
    Qto ao creme, um de mãos (acho que chama Luvas de Silicone), da Avon é Ó-TE-MO !
    Beijokas

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  2. Patrícia, cremes para as mãos tem diversos e com preços variados: Boticário, Granado, Alchemia (à venda nas lojas Renner), AVON, Natura, Avatim, Weleda, L'Occitane... e todos são ótimos. Mas o melhor mesmo é usar luvas, que evita a agressão dos produtos químicos. Uma dica: se não tiver tempo de pintar as unhas, use ao menos uma base e o incolor. O detergente de louças acaba com as unhas. ;)

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  3. Mas que delícia de texto é esse? Ri muito!
    Assim como vc, nasci pra ser rica em Hamptons, só que por uma patacoada do destino nasci pobre e na ZL. Tenho uma diarista que vai uma vez por semana que me deixa mais nervosa do que satisfeita, mas não tenho opção. Ruim com elas, pior sem elas né?
    Obrigada pela participação, que essa seja a primeira de muitas!

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  4. Adorei o texto e admiro demais essas mulheres! Ainda não consegui chegar nesse estágio de evolução. :)
    beijos
    Chris

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  5. Angela. adorei as dicas preciosas!!!! Vou adotar. Já uso luvas mena nem assim. E unhas, essas não faço desde que passei a cozinhar constantemente, então, nem base as coitadas recebem, Ai, como que gosto da vida de riquiza!!!kkkk

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  6. Patrícia
    Adorei o texto...
    Bem vinda ao clube das que vivem sem empregada e sem faxineira (eu).
    Mais de um ano e meio estou sem ninguém, já tive momentos de choro compulsivo, tem dias que a felicidade é extrema.
    Então vamos vivendo... tem dias q as cuecas acumulam e tem dias que as cortinas e edredons são todos lavadinhos sem dó nem piedade.
    Obrigada por dividir sua experiência conosco!


    Beijos,
    Ana Carolina

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  7. Nunca tive empregada domestica, sempre me virei com diaristas, acho que a gente se organiza e consegue sobreviver sem. Quanto ao creme, tem vários, mas se conseguir usar luvas ajuda muito... Não é a cara da riqueza mas....

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  8. Ah Paty! Sempre incrível!
    Aqui só tivemos mensalista por 4 meses, mas tempo suficiente para entender que não preciso delas... heheh
    Faxineira 1x por semana, no esquema COMBO: 1/2 dia limpa, 1/2 dia passa roupa e.. FIM!
    Vivemos felizes!
    beijao

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  9. Também só tenho faxineira 1x na semana e uma garotinha de 1a9m pra bagunçar a casa. O marido ajuda sempre que se dá conta (rsrs), mas de vez em quando preciso pedir uma ajuda mais específica (tipo: junta suas roupas sujas pela casa). E como minha faxineira é de confiança, relevo o fato de ela não passar roupas (tem artrose nos ombros) e de vez em quando sinalizo uns pontos pra caprichar na faxina e ela não faz cara feia. E assim vamos levando. Tem dias que não limpo a casa, tem dias que junto a louça do café, almoço e janta pra lavar de uma vez só, e tem dias que antes do almoço está tudo em ordem. Ainda arrumo tempo (raramente) pra meus artesanatos, crochê, tricô e costura. A vida é assim!

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  10. Todo dia quando acaba o expediente da minha empregada eu juro que consigo viver muito bem sem ela. A casa tá muito suja, vivo reclamando do serviço dela...e para completar eu não tenho a mínima capacidade de dar bronca em ninguém. Então engulo tudo calada e fico dando indiretas... Agora ela saiu de férias...a casa está mais caótica ainda. Tenho 4 filhos (11, 10, 8 e 3 anos) que levo e busco na escola e ainda tive a cara de pau de me matricular num curso de espanhol. Tem hora que olho para aquela frigideira toda suja e me pergunto se demora muito pra ela voltar..Mas quando meu filho chega da escola e diz "nossa...adoro a sua comida mamãezinha cozinheira!" eu fico tão feliz que compensa todo esforço. Eu estou no meio do caminho...estou louca para não ter empregada mas morrendo de medo do resultado final.

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    1. Estou na mesma situação que você, Roberta, nesse exato momento... no meio do caminho e sem saber o que fazer. Medo de não dar conta e, ao mesmo tempo, não suportando mais gente que não quero dentro da minha casa 3x/semana...

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  11. hahahahah adorei o texto!!!
    aff... cada vez que arrumo uma diarista me arrependo do dia em que não nasci rica... heeheh
    tenho que trabalhar fora metade do dia, com um bebê de 10 meses me esperando para buscá-lo...
    se te disser que tenho conseguido fazer 1 coisa por dia, vc acredita? sério mesmo: 1 dia lavo roupa, no outro, lavo a louça! hahahaha
    aí o resto... vai ficando e conforme vai precisando eu dou um jeito de fazer em 15 minutos, qdo o bebê dorme.
    qto às unhas.. sei bem do que está falando. fiquei muuuuito tempo sem ir ao salão, e agora aprendi a não tirar cutículas, mas aí tenho que usar muuuuito creme nas mãos...
    uso o luvas de silicone da Avon, já citado, e o mira-cuticle para cutículas. pronto.
    quando tenho um tempinho, faço as unhas, uma vez no mês mais ou menos....

    ai ai ai...
    como eu queria ganhar na mega sena!!! (mas eu não jogo! rs)

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  12. A comodidade é boa mas agora a Lei está mudando e o empregador precisa ficar atento e se adaptar as mudanças no regime de trabalho da empregada doméstica.
    http://www.microempreendedor.tv.br/empregada-domestica/

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obrigada pelo comentário!