terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sobre tirar o meu filho da escola


Felipe entrou na escola aos 14 meses, em fevereiro de 2011.  Ele adorava e, quando ficava mais do que dois dias em casa, já ficava entediado e pedia pela escola. Ele ia apenas meio período, mas em janeiro de 2012, eu comecei a trabalhar integralmente e ele passou a permanecer o dia todo e foi ai que começou a chorar.
Tirá-lo da escola foi uma decisão cheia de medos e questionamentos. No dia em que minha mãe sugeriu que eu o fizesse, disse que pensaria e descartei a ideia em seguida. Então, os dias passaram e eu percebi que não dava mais.
Desde o começo do ano foi um estresse, na hora em que o Felipe via o uniforme, chorava; na hora de descer do carro, esperneava, tinha dias que implorava. Desde o início do ano eu o deixava no portão, entrava no carro e chorava.
Em abril de 2012, eu saí do emprego, achei que tudo mudaria, iria mantê-lo meio período na escola, ficaria mais com ele, acreditei que tudo ficaria bem. Me enganei e nada mudou. Depois de refletir muito, disse ao meu marido que não aguentava mais.
Eu não sabia bem o que havia de errado, pensamos em mudá-lo de escola, conversamos, vimos as opções e decidimos: vamos tirá-lo da escola. Conversei com o Felipe, e mesmo com seus dois anos e sete meses, ele pareceu entender e gostar da ideia.
Eu senti muito medo, medo de me arrepender, de prejudicá-lo, de surtar, ficando em casa o dia todo com ele. Mas em menos de dois dias me convenci, fomos à escola e eu desabafei, chorei. Os medos voltaram, eu esperava o apoio da escola, mas a diretora e a professora “riram” de mim, disseram que eu não aguentaria nem uma semana com ele em casa. Na hora de ir embora, o Felipe nem se despediu, correu pro colo e saiu de lá rindo e dando tchau aos quatro ventos.
Cheguei em casa perturbada, conversei com muitas amigas mães, psicólogas, pedagogas e todas me apoiaram, me deram força. Enfim, me tranquilizei e deixei rolar. Hoje, três meses depois, eu tenho a certeza de que fiz a coisa certa. Depois de duas semanas, eu já tinha outra criança em casa, mais calma, mais educada, mais paciente, mais alegre.
O meu filho disparou a falar logo em seguida, começou a cantar, voltou a dançar. Ele está feliz, ele está em casa comigo. A gente brinca, vê filme, dorme à tarde, a gente come besteira, conversamos, desenhamos, montamos quebra-cabeça, pulamos na cama. A gente se entende, hoje, mais do que nunca. Estamos felizes!
Em momento nenhum eu culpo a escola, não culpo ninguém. Confesso que algumas cobranças da escola em relação às atividades e ao foco pesaram um pouco na minha decisão, mas o que mais pesou foi o fato de que o meu filho não estava feliz. Felipe quer aconchego, quer a casa dele, ele é pequeno e merece. Vai ter muitos anos pra ir à escola, para estudar, pra aprender coisas que eu não posso ensinar.
Eu pensei bem, ficar em casa até 2013 ou 2014 não parecia uma boa opção, mas eu me surpreendi com a paz que essa decisão nos proporcionou. Assim como ele tem muito tempo pra ir à escola, eu terei muito tempo para estudar, voltar ao mercado de trabalho, obter sucesso profissional.O Felipe é um menino de poucos amigos e terá muito tempo para fazê-los, para se “socializar”. Agora é isso, é a vez de ele ser livre pra brincar.

8 comentários:

  1. Você está certa, tem que fazer o que acha melhor sem se sentir insegura!

    Só você sabe o que é melhor pra ele. Que bom que estão felizes =)

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  2. Que ótima decisão! Sua história me deu ainda mais força para continuar... Depois que meu filho nasceu larguei tudo pra me dedicar a ele e as vezes me pego pensando se essa era a decisão certa... Hoje ele tem 2 anos e 1 mês, fala de tudo, come de tudo, é educado, palhaço... sei que muita coisa está ligada ao tempo que passamos juntos e a dedicação... claro que ele tem seus dias, faz birra, fica chorão... mas no geral vejo que estou fazendo um bom trabalho (assim espero)... e se arrepender de quê? Só se for do tempo perdido... da infância que não volta mais...  ** vc viu a reportagem no Fantástico sobre mães empreendedoras domingo passado?

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  3. Bom ler isso, me tranquiliza, porque a família tem me pressionado muito a colocar a Sophia na escola, mas percebo que ela é feliz em casa, comigo, sinto isso. Sinceramente, fico muito cansada às vezes, já tem dois anos e meio que não trabalho fora (desde que ela nasceu), e ainda tenho o José Miguel que é um bebê de oito meses. Mas estamos felizes, não me arrependo da minha escolha de cuidar deles somente e lendo sua experiência tenho mais certeza ainda!!!
    Beijos
    http://vanessafigueiredo.com

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  4. Comigo se deu exatamente o contrário! Francisco (2a7m) ficava meio período na escola e, durante o tempo que estava em casa, nossa relação não estava legal. Ele é muito (muito mesmo) ativo e agitado, e eu sou mais quieta, então o bicho pegava (mesmo!!!). A nossa relação estava ficando bem complicada quando conversei com a pediatra e achamos por bem tentar deixá-lo o dia todo na escola. Uns dias pra ver como reagiria, se ele melhoraria o tempo que estivesse em casa e se ficaria numa boa na escola.

    Francisco mudou! Vai contente, come direito (coisa que aqui, comigo, estava se recusando a fazer), e volta cheinho de novidade, ficou  mais atento, mais amoroso, presta mais atenção nas coisas e o vocabulário enriqueceu absurdamente de um mês pra cá!!!Os horários para entrar não são muito rigorosos. Ele acorda, a gente brinca e depois o levo. E quando volta a gente brinca mais um pouco até ele dormir. Ele não se parece em nada com aquele menino que ficava tocando o terror e me tirando do sério (falando assim parece exagero, ou falta de paciência, mas não é). Hoje, o tempo que passamos juntos, embora seja um pouco menor, é muito mais agradável e produtivo. E eu tô conseguindo ter mais tempo pra mim e pra fazer planos de voltar a trabalhar!Estamos mais felizes hoje! ;)

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  5. Eles são super diferentes né? Tem crianças que curtem mesmo a escola, o contato com as outras crianças, a rotina.

    Pense pelo lado bom, pelo menos ñ é "doloroso" pra vc, afinal vc sabe que deixa-lo lá faz bem a ele a vc!

    Beijos

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  6. Eu ñ vi Pri, todos os dias penso em algo pra fazer em casa, mas ainda ñ encontrei algo que me de prazer rs

    Com ctz é a escolha certa se faz bem a vcs!
    É cansativo, mas eu amo. 
    O Felipe é super ativo e esperto tmbm, a escola ñ está fazendo falta.

    Bjs

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  7. Logo o José Miguel vai interagir e eles vão brincar, vai ser ótimo!
    Deixe que falem.
    Se vc coloca na escola criticam pq é cedo, se ñ coloca criticam pq "criança precisa conviver com crianças" a sociedade sempre cobra demais da gente.

    Beijos

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obrigada pelo comentário!