quarta-feira, 2 de maio de 2012

Amor, Comida e Contradição

baby-picky-eater

O primeiro alimento de um filho vem da mãe, ainda dentro da barriga. Depois é o peito, quando a criança passa a sentir os diferentes sabores do leite, tudo fruto da alimentação da própria mãe. É comprovado que grande parte das mães se sentem inferiorizadas se não conseguem amamentar. Como se a cria a rejeitasse. Da mesma forma, o desmame é, na maioria das vezes, mais traumático para a progenitora do que para o próprio bebê. Afinal de contas, o momento de amamentar é mais do que simplesmente alimentar. É o tempo do estabelecimento de um vínculo afetivo, de troca de toques, cheiros e olhares.

Resumindo: nós, mães, associamos a alimentação ao afeto de uma maneira excessiva.
E a mídia acaba por influenciar ainda mais esta associação, criando mensagens bem fortes, como: “Para você é leite, para ele é vida”, “doe leite, doe amor”, “Amamentação: mais saúde, carinho e proteção”, e por aí vão as relações entre leite e vida.
O fato é que não estou questionando a importância vital da amamentação. Acho imprescindível o aleitamento exclusivo até os seis meses e a amamentação até pelo menos por volta de um ano. Minha grande dúvida é acerca da responsabilização desmedida da mãe pela alimentação atrelada à questão da afetividade.

Explico: chega uma hora na vida da criança em que ela passa a comer só e apenas aquilo que deseja. Torna-se extremamente seletiva - leia-se chata - para se alimentar. É um processo natural de maturação do paladar e da formação da personalidade. É então nessa fase que muitas mães, incluindo eu, nos vemos perdidas, sem saber o que fazer para fazer aquela pequena e frágil criatura comer bem. E o “comer bem” engloba aqui aspectos que diferem de mãe para mãe: comer coisas saudáveis, comer bastante, comer tudo o que se oferece.

Ora, se alimento e amor são a fonte de vida do filho, como aprendemos lá no início da vida dele, com a história de que leite é vida, nos sentimos extremamente fracassadas quando nossos pequenos recusam nosso almoço ou preferem um macarrão insosso ao jantar todo balanceado feito com tanto carinho e dedicação. O sentimento é de rejeição, no mínimo, e as consequências são estresse à mesa, vínculos estremecidos, e choro, muito choro, de ambas as partes.

Penso que se a amamentação tivesse sido adequadamente estimulada, mas sem o apelo sensacionalista e exagerado das campanhas de amamentação, propagandas de leites e alimentos infantis, as mães estariam mais preparadas a aguentar o tranco da rejeição de um prato de comida.
Mas será que se não levássemos a amamentação tão a sério como componente afetivo, não estaríamos criando bebês mais inseguros? Afinal de contas, todo aquele vínculo construído durante o aleitamento acaba abalado quando a criança percebe que não está agradando com seus novos hábitos alimentares, e cria nela o sentimento de culpa pelo fracasso dos pais.

Se o aleitamento é carregado de sentimentos, a insegurança bate à porta lá pelos 3 anos quando os pequenos se tornam mais seletivos. Se desassociamos a questão do afeto ao amamentar, podemos eliminar essa crise aos 3, mas será que teremos filhos tão seguros e amorosos?
A nós, mães, restam a dúvida e a contradição.

Post inspirado nesta reportagem da revista Época e neste post esclarecedor do Conversa de Mãe. Já a imagem é daqui.

8 comentários:

  1. Eu estou passando pela situação em que meu filho virou um picky picky picky eater. Se antes ele ao menos experimentava pra depois recusar, agora nem experimenta! E coisas que antes ele comia agora não quer nem colocar na boca!
    Toda refeição é um suplício, tem grito, choro, colheres e comidas voadoras, mil distrações. As vezes acho que meu filho vive de vento.

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  2. Olha, eu sou aquele tipo de mãe (chata) que acha que a criança aprende a comer o que vê os pais comendo. Aqui em casa aboli refrigerante, por que não quero que ela tome. Se oferecem na rua? Sim, na casa da avó tem. Mas ela diz que não quer, que é ruim.Se ela não vê eu e o pai tomando, não pede. A mesma coisa com 'porcarias'. Eu adoro um salgadinho, uma junkie food e trocava comida saudável por miojo. Hoje só como esse tipo de coisa sozinha, por que o que eu tiver comendo, tenho que dividir com ela, seja um miojo ou uma salada de alface.
    Outra coisa, que minha mãe não fazia e eu tento é a questão do experimentar. Gabi não queria abobrinha por que uma coleguinha disse que era ruim, aí não comia de jeito nenhum. Eu comia e dizia "ai que gostosa essa abobrinha,muito boa, etc". Ela pediu um pedaço, eu dei, e ela comeu praticamente só abobrinha naquele dia. Fiz isso com um monte de coisas e agora, quando ofereço, ela diz "é aquela coisa que 'ispirimentei ' e gostei? E pronto, come de novo.
    Não é fácil, mas também não é impossível! =D

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  3. Desde que começou a comer, meu filho nunca recusou nada. Mas acho que é sorte, porque vejo muita criança ruim de boca! Por enquanto ele tem só 1 ano e 8 meses e seu que isso não vai durar pra sempre. Tenho que aproveitar enquanto ainda posso mandar e escolher o que ele vai comer, por isso sou chata mesmo, não gosto que dêem porcarias pra ele comer. Um dia isso vai acabar e espero fazer uma boa base pra que ele não deixe de comer o que já come....

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  4. Não acredito que EU posso separar a ,amentação do afeto, pq amamentar é mais que nutrir um corpo, é sim uma troca inesgotável de amor de ambas as partes. E refletindo mais, sempre demonstramos amor oferecendo comida, seja uma caixa de bombom para a namorada ou em uma ceia de natal, estamos sempre come+morando em torno de uma mesa .   

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  5. Aqui Ellis no geral come de tudo. Mas de tudo mesmo, desde coisas saudáveis até coisas não tão saudáveis. Você sabe. Refrigerante ela não toma. Eu tomo, mas ela toma suco e nunca pediu pra tomar comigo ou do meu copo.

    Mas, tem resfriado, dente, virose e etc e aí ela num come nada de nada. 
    Vamos ver como fica...

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  6. Sei lá não fui neurótica com amamentação, amentei até quase os 2 anos, e não foi um bicho de 7 cabeças pra mim, sei lá sempre vi/veja a maternidade como um processo natural pelo qual a mulher passa, e talvez por enxergar isso como um processo não fico pirando tanto!

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  7. Eu sou mega chata para comer e tenho uma cópia em miniatura, mas no geral ele come bem.
    Piro quando ele começa a fazer mini greves de fome! Ah piro mesmo! 
    E quando eu não comia minha mãe fazia drama, falava q eu não a amava... é complicado, pq tem horas q eu penso em fazer o mesmo!
    Beijos,
    Ana Carolina

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  8. Diiirce. Tanta coisa pra falar, tanto pano pra manga. Não sei se vc já viu este post: http://ombudsmae.blogspot.com.br/2009/04/amamentar-nao-e-um-ato-de-amor.html ele é feito pela filha de uma especialista em amamentação e é muito esclarecedor. Publicitários (eu sou uma) tendem a puxar o lado emocional para engajar. Mas, ao meu ver é chegado o tempo de mudarmos isso. Passamos as ser ouvidas. As empresas querem saber o que pensamos (mães). Médio, longo prazo essa pressão mudará. Ao menos tenho esperanças. Sou a favor da amamentação, sei que é o melhor alimento para um bebê. Mas, estou cansada de ver mães com DPP mau pra caramba sem tomar remédio porque "tem" que amamentar. Na verdade ela deveria estar bem para estreitar laços com os filhos. A conversa é longa, bem longa. Bjs :)

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