quinta-feira, 29 de março de 2012

Mães especiais

         João Pedro chegou da escolinha segunda-feira com uma febre persistente. Levamos ao pronto-socorro. Preferimos mudar de pronto-socorro devido ao horário do trânsito e fomos em um hospital mais próximo de casa, sem ter que passar por grandes avenidas.
         Desci correndo com ele e começou a espera. Depois de uma hora fomos atendidos, o médico fez uma lista imensa de remédios, falou que tudo que faço pro meu filho está errado e blá blá blá. Fiquei furiosa, meio que fugimos do hospital sem dar a medicação que o médico passou.
        Fomos para o pronto-socorro indicado pela nossa pediatra, aquele que tem trânsito para chegar. Lá fomos bem atendidos e em menos de 10 minutos, o médico nos atendeu bem, não passou uma lista de remédios, muito menos falou que estávamos errados em nossas decisões com relação ao nosso filho.
         Me marcou uma mãe no segundo PS que fomos.
        JP fazia seu típico passeio de reconhecimento e topou com um menino. O menino ficou todo animado com ele, mas para variar, ele não se importou muito (pelo menos no começo).
        Perguntei o nome do menino, e a mãe antes de mais nada falou: Ele é down. E depois falou o nome. Eu fiquei pensando, mas eu perguntei o nome, não o que ele tem ou não tem.
        Depois de algum tempo o meu e o filho dela eram amigos. Ela me contou que ele ainda não fala, que aprendeu a andar a pouco tempo e que tinha aprendido fazer "jóia" a pouco tempo. Sabe quantos anos o menino tem? Dois anos.
       Não sei se é por que o meu filho é até o momento "normal" que eu achei totalmente normal o que ela me disse. Afinal meu filho também não fala e aprendeu fazer "jóia" semana passada. E ele tem 1 ano e 6 meses. Logicamente meu filho não fala, se comunica com tudo e todos, mas não fala.
       O que eu senti daquela mãe, era que ela estava se desculpando pelo filho ter down. É o que eu sinto, pode não ser o real.
       Percebi que ela queria protegê-lo de gente que poderia critica-la ou criticar seu filhote.
       No mesmo momento, já pensei: como ela é especial. Me deu uma vontade doida de pedir o telefone, email ou qualquer outra forma de comunicação, mas fomos chamados e quando voltei ela não estava mais lá. Ela é realmente especial, uma mãe especial.
       Tenho nas minhas pessoas de convívio uma mãe especial assim. A criança nasceu antes do previsto, baixo peso e outros problemas. Saiu do hospital quase 3 semanas depois e a maratona de visita aos médicos segue até hoje, quase 3 anos depois. E essa mãe é forte! Muito forte. Pelo pouco que sei, já ouviu de tudo de médicos, de alcoviteiros e todos os outros, mas ela está lá. Forte.
       Como dizer que ela não é especial? E a mãe do PS? Especial demais também.
       Certa vez ouvi que crianças especiais nascem em famílias especiais. Só pode ser!


Publicado originalmente no Uma mãe muita coisa...

7 comentários:

  1. É uma situação bem complicada, essa mãe já deve ter sido muito julgada e apontada e acabou montando todo um esquema de defesa. Mas concordo com vc, ela é especial tão quanto o filho que carregou e que cria.
    Lindo texto!

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  2. Que lindo...

    Imagino o quanto sofra a mãe, não por ter um filho especial, mas por saber que ele pode vir a sofrer mais do que outras crianças - PODE SER QUE, já que ninguém sabe de nada dessa vida...

    Imagino a preocupação dela com ele, em preservá-lo, em cuidar dele... em afastar de cara alguém que pense em fazer/dizer maldade para esse bebê.

    Realmente, é uma mãe especial.

    Beijo,DAni

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  3. Concordo que crianças especiais só nascem em famílias especiais. E vem cá, o que é ser normal, né? Qual é o limite entre ser normal e especial... uma linha tão tênue, mas ao mesmo tempo profunda.
    Adorei!
    Jokas da MI diiirce

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  4. Lindo seu post! 
    Sabe, estou fazendo uma disciplina na Uff chamada Educação Especial, a professora é bambambam no assunto e na época da novela que tinha uma menina com Down, ela foi consultada... e estou falando isso porque tenho feito algumas leituras a respeito do tema e assim faço a seguinte análise: se nossa sociedade não fosse tão preconceituosa em relação as crianças especiais, ela não precisaria, logo de cara, se "justificar" pra ninguém, você me entende, amiga?  Até porque, quando as ditas normais tem alguma deficiência, a mãe não precisa se justificar tanto. Vou dar um exemplo: Luna odeia imprestar seus brinquedos, ok isso não é uma grande deficiência, muitas são assim, mas eu não a apresento dessa forma: "Ela não empresta os brinquedos e se chama Luna."
    Não sei se me expliquei bem... rsrs

    Beijão!

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  5. Acho que é uma defesa da mãe, né?
    Afinal, num mundo onde as pessoas são tão preconceituosas, vc precisa se defender, infelizmente. :-(

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  6. Com certeza crianças especiais nascem de mães especiais. Tenho uma amiga bem próxima,portadora de EM como eu e mãe de uma criança down. Agora ela descobriu que está grávida de novo e a diferença entre os bb's será de um ano e meio. Pensa que ela tá preocupada? Um pouco, como é normal a toda mãe, mas só. Na medida. Só lamenta que se for outro bb down talvez ela tenha que para de trabalhar.
     Isso é ou não especial?

    js

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  7. Oiee,

    Semana passada tb tomei um baile de um hospital, levamos a Cacá num hospital mais proximo e saímos de lá com uma lista de remédios e um diagnóstico horrível, depois fomos pro hospital de sempre e daí sim, saímos confiantes e a Cacá está se recuperando bem.
    Acho também q as crianças especiais nascem de mães especiais, em famílias especiais, nem posso imaginar a força que uma mãe destas precisa ter, só sendo muito especial mesmo!!

    bjos!

    Loreta
    @bagagemdemae 

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obrigada pelo comentário!