quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Falando sobre perdas

A primeira grande perda que eu lembro foi da minha vó Maria. A gente estava brincando numa carroça perto da casa, quando alguém veio com a notícia. Lembro que corremos pela casa e vi minha avó morta. Já se passaram muitos anos, muitos mesmo e não esqueço deste dia.
                  Minha mãe, meu pai, meus tios não nos contaram histórias de que ela ia voltar, que ela tinha virado estrela ou qualquer outra coisa do gênero. Simplesmente falaram que ela morreu e era véspera de Natal, não amenizaram em nada. Outra coisa que lembro deste dia foi que meu primo saiu correndo sem direção.



                  Anos mais tarde, meus dois avôs morreram em um intervalo menor que um mês. Nenhuma vez, foi falado que eles iam voltar, tudo bem, desta vez eu já era maior (uns 8 anos) e teoricamente entenderia. São minhas experiências com a morte, depois disso outras pessoas se foram, não com um laço de amor tão forte.
                   Fico pensando em como dizer a um filho que ele perdeu sua mãe, seu pai, que ele perdeu um irmão, perdeu alguém querido. Esse sentimento de perda que não é fácil lidar. Não é simples, pelo menos não para nós adultos. Quantas vezes eu lembro de ver meus pais chorando? Muitas. Lembro do preto, lembro do luto.
                   E quando uma mãe perde um filho? Como ela conta para aquele que fica? Como ela conta para aquele que vai nascer e um dia vai querer saber quem é aquele bebê na foto? Esconder?
                   Mais uma vez dizer a verdade, sem inventar, contar para criança aquilo que ela perguntar. Se ela olhar uma foto e perguntar quem é? Diga a verdade, não invente, não aumente, só responder o que a criança perguntar.
                   Mas e a mãe? Como a mãe que perdeu seu filho fica? Há conforto para essa mãe? Sinceramente? Acho que a mãe não vai esquecer nunca deste filho, nem um dia que passe, nem um minuto sequer. Porém, assim como a criança, ela tem que saber que é algo definitivo.
                   Há uns dois anos, uma amiga da minha irmã perdeu a filha com uma morte estúpida. Elzinha se foi rapidamente sem chances de despedidas. Como dizer para essa mãe que a filha dela não virou um anjo?



Esse texto é ótimo: http://delas.ig.com.br/filhos/seis+respostas+como+falar+de+morte+com+as+criancas/n1237794785122.html

2 comentários:

  1. Aos 32 anos eu não sei lidar com perdas. Já perdi dois avós que amava muito e não soube lidar com a morte deles.

    Não sei como vou fazer pra trabalhar isso na cabeça do pequeno pq pra mim esse é um assunto super mal resolvido.

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  2. Eu ainda não sei lidar com perdas, pode ser que inda não perdi alguém muito especial, mais meu marido me diz precisamos estar preparado, e eu não consigo, acho que ninguém consegui.
    beijos.

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obrigada pelo comentário!