segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sobre respeito, tolerância e verdades universais, por Tatiana Passagem

Mais que uma honra ter um texto da Tatiana Passagem no Loucura Materna!
Ela é dona do blog Entre Fraldas e Livros e escreve também no Mulher e Mãe.




Eu tenho pensado muito em uma palavrinha aparentemente tão simples, mas tão ignorada atualmente: tolerância. No último domingo eu fui responsável pela reflexão espiritual em nosso acampamento escoteiro e, como lá cada um tem sua religião, tentei ser o mais ecumênica e eclética quanto foi possível. E o que é mais ecumênico e eclético do que a tolerância?

Sei que há séculos as pessoas vêm se matando por acharem que suas verdades são superiores às dos outros. Esta história de achar que é dono da verdade universal não é exclusivo da esfera materna - embora a gente as vezes ache que é. O que eu tentei passar para os meninos durante a reflexão foi: é possível, sim, conviver com uma pessoa que pensa diferente de você e tem opiniões diferentes das suas. E pode não parecer, mas é possível ser amigo de uma pessoa assim. Basta colocar juntinho da tolerância uma outra coisa igualmente importante: o respeito. Você não é obrigado a gostar de ninguém, mas é sim obrigado a respeitar todos, mesmo - ou principalmente - pela internet (as pessoas andam confundindo muito a liberdade de expressão com pura falta de respeito e grosseria).

Confesso que ando meio cansada dos mesmos bafafás e blá-blá-blás de sempre: cesárea ou normal, amamentar ou não, chupeta ou não, andador ou não, mamadeira ou copinho, dormir no berço ou cama compartilhada, deixar ou não de trabalhar e por aí vai. Mas não me entendam mal, a discussão saudável sobre esses assuntos não me cansa nunca, pois acredito que quanto mais informação sobre tudo, melhor é. O que me cansa é que muitas pessoas não querem discutir e sim impor suas vontades. Elas são as detentoras da verdade universal e todo mundo que faça diferente delas irá arder eternamente no fogo do inferno. Entram nas discussões não para acrescentar, orientar, esclarecer e sim porque acreditam que irão mostrar o quanto todas as outras que não fazem como ela estão profundamente erradas. Não param nem por um minuto sequer para pensar que as pessoas que estão do outro lado da tela do computador dela também são mulheres como elas, que também têm sentimentos, assim como elas. São verdadeiros rolos compressores.

A maternidade é cheia de escolhas muito pessoais, o tempo todo. Cada pessoa foi criada de uma maneira, em um determinado ambiente, com determinadas influências culturais. Ninguém é igual a ninguém. Na verdade, se a gente for parar para pensar direitinho, ser diferente é que é o normal. Então como achar que todas as mães irão criar seus filhos da mesma maneira? E, mais ainda, como achar que há apenas uma maneira certa de fazer as coisas? Muitas vezes nem mesmo pai e mãe compartilham de uma opinião! E, pelo menos teoricamente, eles se amam e têm um montão de coisas em comum. O que dizer de milhares de mulheres espalhadas aí pelo nosso Brasilzão (nem vou falar do mundo)? Se um pai e uma mãe podem chegar a um acordo sobre opiniões diferentes na criação de uma criança, porque nós mães também não podemos? E olha que no caso do pai e da mãe, eles conseguem chegar a um acordo sobre UMA MESMA criança! A gente só precisa aprender a respeitar a opinião da outra mãe sobre a criança DELA.

Com os meninos no acampamento escoteiro eu fiz um exercício rápido, que podemos fazer também. Eu pedi a eles que olhassem para a pessoa do lado direito e pensasse na melhor qualidade dela. Depois, pedi que pensassem nas coisas que eles tinham de diferente dessa pessoa. Por último, pedi que pensassem no que tinham em comum. Falei que fizessem o mesmo com a pessoa que estava do lado esquerdo. E, por fim, disse a eles que sempre que tivessem alguma divergência com alguém, fizessem esse exercício e procurassem olhar mais para as qualidades e coisas em comum do que para as diferenças. Exercitassem o respeito, se colocassem no lugar do outro. E convido as mães a fazerem o mesmo.

Claro que eu sei que, para muitas, isso que estou falando agora não vai surtir o menor efeito. Porque muitas gostam da polêmica pela polêmica, porque querem aparecer de qualquer forma e, não conseguindo fazer isso de forma saudável, por suas qualidades, acham que criticar o que as outras fazem e arrumar discussão é a melhor forma de aparecer. Mas, sinceramente, não estou nem um pouco preocupada com isso. Primeiro porque essas pessoas não precisam aprender a respeitar, elas precisam é amadurecer, e para isso não há remédio além do tempo e da vida. E porque eu sei que existem - e sempre existirão - dois tipos de pessoas: aquelas que olham pela janela e vêm o céu, a lua, as estrelas. E aquelas que olham pela mesma janela e só conseguem ver a lama do chão. São aquelas que olham para uma iniciativa legal e se preocupam em criticar o erro de português, a azeitona da empada e a cereja do bolo. E não é para essas pessoas que estou escrevendo.

Segundo porque eu sei que muitas mães irão refletir sobre isso sim. Porque elas não fazem por mal, simplesmente nunca pararam para pensar no assunto. Provavelmente nunca pararam para se colocar no lugar das outras, nunca pensaram em procurar os pontos em comum. É nessas que eu penso enquanto escrevo sem parar aqui. E quer ponto em comum maior do que ser mãe? Só quem é mãe sabe as dores e as delícias de viver essa Loucura Materna que vivemos todos os dias. E só isso já vale todo o esforço.

13 comentários:

  1. Eu acho que tudo seria mais cor de rosa se as pessoas se respeitasse, respeitasse as diferenças.
    Feliz 2012 pro Loucura Materna. Bjks

    ResponderExcluir
  2. Disse tudo Thaty!

    Por um mundo com mais respeito e tolerância!
    Eu sempre acabo brigando pra defender quem tá sendo atacada, ainda que eu nem concorde com a opinião dela, porque não aguento esse tipo de coisa. haha Aquela que briga pra num ter briga, pode? 
    Adorei o texto, que bom ter você aqui.
    Beijo

    ResponderExcluir
  3. Falou tudo Tati!!!!
    Respeito é tudo que precisamos e menos dedos em riste!!!
    Amei vc por aqui
    Beijos,
    Ana Carolina

    ResponderExcluir
  4. Post perfeito pra início do ano. Eu, q já levei bordoada virtual num grupo de mães pq disse certa vez q tinha dificuldades pra tirar o complemento da minha bebê, fiquei feliz em ler seu texto. Ainda há gente sensata no mundo!!!

    O q me pergunto dessas mães arrogantes é se elas vão realmente enxergar os desejos de seus filhos, já que muitas parecem estar tão preocupadas em fazer valer suas próprias vontades... enfim, q cada uma possa lidar com suas dificuldades e alegrias numa boa, e q a tolerância prevaleça!

    Adorei o post!!! Bom 2012 pra td mundo!

    ResponderExcluir
  5. Lindo texto. Lindas idéias. Obrigada, Tati!

    ResponderExcluir
  6. Oieee,

    Adorei! Falou e disse! Como sempre! hehehe

    Bjos!

    Loreta#amigacomenta;)
    bagagemdemae 

    ResponderExcluir
  7. Tati, vc é muito sabia ! A M E I o texto, todos no mundo precisam refletir sobre o tema, quem sabe teremos um mundo melhor.

    ResponderExcluir
  8. Sabe gente, eu me desestimulei muito com as redes sociais por causa desses tititis. Como não gosto de polemizar e procuro todas as palavras educadas e bacanas que conheço quando quero discordar de alguém (como no mico que paguei aqui mesmo no loucura materna, contestando mamãe Rochelle, sou grossa, não tinha captado a mensagem de que era um personagem, fuén) eu preferi me afastar um bocado, porque mesmo não participando do bate bocas, me incomoda ver minha TL cheia de indiretas de uma pessoa pra outra e opiniões cheias de discursos inflamados e preconceitos idiotas sobre o que quer que seja.
    Tati, vc é uma pessoa sábia, por isso priva da amizade de muitas. Felizes esses meninos que tiveram a oportunidade de aprender tão valiosa lição com você.

    Um feliz ano novo pra essas loucas que tanto amo!!!
    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Sempre falo muito isso aqui em casa, a Tati sabe até o porque de sempre falar nisso, já coloquei isso no meu blog algumas vezes, os conflitos ocorrem em sua maioria por conta dessa falta de tolerância e respeito.
    Que lindo texto da Tati.

    ResponderExcluir
  10. Seu texto é maravilhoso!!! Tem toda razão, "a maternidade é feita de escolhas pessoais", tem hora que essas escolhas dão certo e outras horas não e assim vamos aprendendo!!!
    Eu fiz um post confessando um erro meu, mas refleti e não vou errar mais!Beijão.@_maejestade 

    ResponderExcluir
  11. FALOU TUUUUDO!!!
    Sabe q adoro seus textos neh???
    bjuuuus

    ResponderExcluir

obrigada pelo comentário!